Porque sextas chuvosas combinam com canções de amor estranhas. E eu ainda acredito. Em sextas chuvosas e em tudo mais.
Medo De Amar Nº 3
Adriana Calcanhotto
Você diz que eu te assusto
Você diz que eu te desvio
Também diz que eu sou um bruto
E me chama de vadio
Você diz que eu te desprezo
Que eu me comporto muito mal
Também diz que eu nunca rezo
Ainda me chama de animal
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo, é do amor
Que você guarda para mim
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo, é de você
Você tem medo, é de querer
Você diz que eu sou demente
Que eu não tenho salvação
Você diz que eu, simplesmente,
Sou carente de razão
Você diz que eu te envergonho
Também diz que eu sou cruel
Que no teatro do teu sonho
Para mim não tem papel
Você não tem medo de mim...
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo, é de você
Você tem medo, é de querer
Me amar
O Amor é Filme
Liminha
pelo Cordel do Fogo Encantado
(*)
O amor é filme!
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade,
Da dúvida,
Dor de barriga
É drama,
é aventura,
é mentira,
é comédia-romântica
(2x)
Um belo dia a gente acorda e bum!
Um filme passou pela gente
e parece que já se anunciou
O epísódio 2
é quando a gente sente o amor
se apuletar na gente
tudo acabou bem
agora é o que vem depois
(*)
É quando as emoções viram luz
E sombras e sons, movimento
E o mundo todo vira nós dois
Dois corações bandidos
Enquanto uma canção de amor
Persegue o sentimento
E sobem os créditos
O amor é filme
E Deus expectador
posted by MARA CORADELLO 3:48 PM
Eu=cronista.
Convido a todos a me lerem atualizada, toda quarta, no Caderno 2 de A Gazeta, na página 6.
Para quem não mora no Espírito Santo, é possível comprá-lo em algumas bancas.
Lembro que no Rio, vendia perto do Le Meridien, naquela banca com nome italiano...Espero que ainda esteja certa essa dica.
Tomara que leiam, se houver aumento de vendas de seis jornais amanhã, sei que foram vocês.
posted by MARA CORADELLO 6:24 PM
Toda a desvastação das tardes de sexta cabem em dígitos mortos de um celular com apenas dezesseis reais de crédito.
123456789*0#.
Eu, nova burocrata da criatividade, estreito meus olhares de esguelha e páro de sonhar como quem pára de ter crise de soluço: de susto.
É verdade que é bom parar soluços com um copo de água fria em cima da cabeça e um revólver, dá-me um tiro, se errar eu morro e passa o soluço, se acertar, mesmo assim me assusto.
Venha a verdade universal do reino de deus, eu tenho pavor de compromisso, só menor que o pavor que tenho de inícios, a começos, por isso queria namorar firme, ser de um só, andar de mãos dadas, para não passar nesta avaliação de experiência em que até os pêlos pubianos são julgados com sussurros. Eufemismo-me. Sempre. Para não te chocar. Oh lástima! Sou feita de palhaça como no dia da escola em que pediram para desenhar minha mãe e como ela vivia repetindo a meu pai que era/não era palhacinha dele, eu a desenhei com nariz vermelho, maquiagem e uma peruca. E expliquei na sala, ela foi chamada à escola e passou muita vergonha e nunca mais usou batom forte.
Sou má, falo muito, adoro ser sarcástica, tenho sangue que circula nas veias fluindo livremente e opiniões inabaláveis a respeito de pessoas que viram logo depois verdades mediúnicas, estou disléxica, disritmica e com preguiça de ter bom humor. Sinto muito.
posted by MARA CORADELLO 1:41 PM
Traduz o que eu sinto nesses dias, menos a parte das mãos pequenas, ele tem as mãos generosas na espessura, tamanho, cor e tato.
E. E. Cummings :
nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre;só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
( tradução: Augusto de Campos )
posted by MARA CORADELLO 6:41 PM