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Quarta-feira, Abril 26, 2006

 
A crônica da Gazeta de hoje seria essa, mas enviei aquela primeira e essa era a definitiva e...não importa. Leia e me xingue.



Dois pequenos dramas barrocos

Da falta

I.Quando dei por mim havia esse anjo nada torto, era contrito e de falsa esquerda. Pagava mensalidades às mentiras e chamava-se: Desamor.
Acabou com minhas pernas, elas pesavam itinerários que não traçavam nas noites, nem nas tardes nem em quaisquer dias. Alargava-me na cintura, era minha boca em forma de não, os vincos na testa onde pensamentos lúgubres se escondiam.
E mulher que anda em companhia deste anjo, vira motivo de chacota. Que o mundo ainda tem a pachorra de fazer ganir cachorro quase moribundo.
Eu gemo: de tristeza. Ouço Paloma Negra e penso por que não eu? Por que não eu? Brigo com Eros mesmo sabendo que ele deixou de existir a tempos... Mas antes me mandou esse anjo de cor morena, tez adocicada como sua voz, não suporta barulhos, fala baixo, se esconde denso entre minhas roupas, parece estar pregado no espelho em que me olho antes da festa, por isso menos festa, menos rua, menos alegria. O anjo nada torto o tempo todo é o único que não me troca pelas novas moças dos sabonetes Araxá. Fiel o Desamor, te deixa o bastante para esperar o próximo Dia dos Namorados, quando ele volta a te esfregar na cara os sorrisos dos casais deitados nas gramas dos parques.

E ainda te sacaneia, atirando a seus pés rapazes: tolos, casados, parvos, desonestos, que suam nas mãos, que dançam engraçado demais. Desamor esconde todos os homens que prestam, na casa, no quarto e nas escrituras em posse das outras damas, essas que nasceram com a sorte do acalanto na voz, com a sabedoria de serem meigas, magras e melhores.

Do excesso

II. Da próxima vez que ouvir qualquer ser, falar que tal dama é triste por falta de homem (e nessas horas os malfadados proferem logo o nome do órgão por extenso, quase com divisão silábica) da próxima vez eu lembrarei de algumas possibilidades que podem ser causadas pelo excesso de homem. Mesmo que seja o de um só. Essa coisa que pode ser reticente e jogada no sofá da sala, que pode ser apreensão somente por isso. Ou da coisa que é um telefone que não liga, nunca. Ou somente toca quando já é tarde demais para que até lembremos de seu nome por extenso.
E os pescoços de alguns homens? Devem ser os mecanismos com maior mobilidade na Terra, elásticos ao olhar para o lado. E os ciúmes deles a respeito de suas mulheres, exige-se desse ciúme uma medida tênue, que em excesso atormenta e quando não existe preocupa.
E para piorar tudo são os que nos vêm com camisetas largas e calcinhas de algodão frouxo, e nem sempre somos Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, linda de camisa de homem branca. Tudo bem, eles nem sempre são George Peppard o ¿Fred¿ do filme mais adorável que jamais houve. Tudo bem? Não, nada disso. Mesmo exibindo suave (eu não tenho nada contra, juro) pancinha falam em academia com toda cientificidade para suas esposas, gratas por algum tempo entre o trabalho e o jantar.

Acham que ser bem-sucedido é o que nós queremos em demasia. Ou desejam ser amásios. Eu espero sorridente o meio termo.
E tantos têm a virtude da falta de assunto, da falta da cantada certa. Coisa que deveria ser mole_ a palavra, é dura. Coisa que deveria ser dura_ é mole.


E as horas entregues a ¿infernet¿ (palavra de autoria da querida Jana Assis) bem ali no nosso nariz ¿o corpo virtual é outro corpo querida¿.

Portanto quando perceberem naquela chefe, taxista, diretora da escola, dona do bar, policial, advogada e outras mais em quaisquer cargos, mesmo que donas de casa (ó que vida difícil) quando por acaso nelas existir esse detalhe que há milênios apavora a humanidade, o mau humor feminino, podem pensar em tampas de vaso levantada, em toalha molhada em cima da cama ou simplesmente em excesso de homem displicente em casa e falem, só para treinar_ isso deve ser excesso de membros.


posted by MARA CORADELLO 10:43 AM


Segunda-feira, Abril 24, 2006

 
Escolha a norma, culta ou chula?

Ter-me.

Me ter.
posted by MARA CORADELLO 11:19 AM


Quinta-feira, Abril 20, 2006

 
Terceira crônica.

Fragmentos de Mim l

Mara Coradello


Tenho que tirar uma fatia do silêncio a meu respeito, que aqui se instaurou...E colocar um agradecimento. Desde o primeiro dia em que me leram por aqui, pouco ou nada sabem de mim. E tenho recebido manifestações gentis de estímulo. Por isso acho que tenho de ser um pouco eu.
Vou falar o que consigo, e ainda bem que páginas de jornal não coram.
Não pareço muito com a foto acima, carinhosamente feita pelo meu irmão do meio, Fabrício, com o qual gostaria de parecer mais. Adoro café expresso, dias chuvosos, livrarias. Mas não leio desbragadamente, sou fragmentada, abandono livros e pessoas complicadas, para logo depois, em meio a uma solidão intensa, procurá-los no meio da noite. Procuro-os quase nunca pelo telefone, quase sempre apenas puxando fios na memória enevoada.


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Meus pais se conheceram de uma maneira curiosa, minha mãe, uma das mulheres mais lindas daquela cidade naquela época, era enfermeira noviça de uma Santa Casa. Papai, então um com quase trinta anos e conhecido por sua recusa ao matrimônio, foi levar sua irmã, a adorável tia Tercilia, ao hospital. Após ver minha mãe, especializou-se em inventar uma doença por semana até conquistar o coração da quase freira, que era prometido a Jesus. Eles se casaram por paixão, era fácil perceber isso pelo tom do amor neles.
Hoje têm suas vidas separadas.

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Fui sempre uma pessoa de reflexo palavrório involuntário.
Um dia minha avó, uma senhora italiana católica de gênio mercurial, especialista em frases fortes e nada ortodoxa no modo de nos educar, disse que Jesus Cristinho me viraria as costas, se eu teimasse tanto em mandar em mim. Qual foi a surpresa quando me viram com seis anos, escalando o sofá e virando o crucifixo para a parede ao exclamar: "Já virou, vovó!". Pedi desculpas de joelhos por isso. Acalme-se. Hoje sou do tipo que prefere perder a piada e manter o amigo. Acho que boas frases e verdades francas acontecem aos montes, mas um bom amigo só depois de vários quilos de sal, melhor cuidá-los bem.

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Ando apaixonada. Por um ser humano macio. As pessoas macias são abraçáveis por princípio. Gosto da falta de asperezas do moço, de sua doçura e de seu falar baixo.
Ele talvez nunca saberá disso, ao ler essa crônica (?) talvez pense que falo dele, ou nem mesmo irá suspeitar. Não importa, gosto desse fogo sagrado-coração no peito.
Como se me fizessem uma tatuagem devagar por dentro. Aquece.

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E para terminar um pouco de minha literatura, que ao contrário desse lugar aqui, não quer comunicar nada:

Acordei e na penumbra gelada vi meu corpo.
Tinha pedaços de frases em sobressaltos sob a pele.
Visíveis na penumbra gelada daquele início de manhã.
Palavras são sempre pedaços de frases?
Surpreendi as palavras.
Eram pequenos trechos das coisas e sensações que eu
realmente desejava.

Melhor voltar a dormir.



posted by MARA CORADELLO 12:36 PM


Quarta-feira, Abril 19, 2006

 
Daqui a pouco coloco minha terceira crônica aqui, hoje é dia de vocês comprarem jornal para ler a quinta.
Enquanto isso leiam uma das minhas favoritas, uma crônica que me dá um sentimento que ainda não sei o nome
e não, não se trata de inveja. É algo como orgulho, calidez, alma enternecida. Saudades que de algo que não tive, sei lá.

Enfim, leiam:

QUARTO DE MOÇA

Rubem Braga

Alguém me fala do apartamento em que você morou em Paris, em uma pequena praça cheia de árvores; outra pessoa esteve em sua casa de Nápoles; eu me calo. Mas, eu conheci seu quarto de solteira. Era pequeno, gracioso e azul; ou é a distância que o azula na minha lembrança? Junto à janela havia uma grande amendoeira antiga; às vezes o vento levava para dentro uma grande folha cor de cobre - gentileza da amendoeira. Que tinha outras: pássaros, quase sempre pardais, às vezes um tico-tico, ou uma rolinha, ou um casal de sanhaços azulados. E no verão, como as cigarras ziniam! Lembro o armário escuro e simples, onde cabiam seus vestidos de solteira, que não eram muitos; e lembro alguns deles, um roxinho singelo, um estampado alegre, de flores, um outro de linho grosso, cor de areia. Havia uma pequena estante; e, entre os livros, o meu primeiro livro, com uma dedicatória tímida. Na parede, uma fotografia, uma imagem de santa, e uma reprodução de Piero della Francesa, não era?
Era simples, seu quarto de menina e de moça; mas tinha uma graça leve e singela, e você o amava. Dali partiu para tantas outras casas e hotéis em outras cidades do mundo, e um dia soube que haviam derrubado sua casa. Contaram-me, achando graça, você chorou quando teve a notícia chorou como se tivesse perdido pai ou mãe, alguém muito querido. Contaram-me, achando graça - e eu não disse nada, mas me comovi.
Nossa amizade se perdeu no acaso das viagens; outros homens muito mais sobre você, viveram sua alegria e seu sofrimento; de mim você terá apenas uma lembrança distante e, espero, boa. Mas, se um você se sentisse vazia e sem apoio, e achasse as coisas tão sem sentido, imagino que você gostaria que eu reconstruísse no ar, como um presente um presente para proteger e embalar você, o seu pequeno quarto azul que não existe mais.
Conheci seu quarto de solteira; lembro a cama, o armário, a estante, a cômoda, a mesinha, o abajur e o grande espelho. O grande espelho onde às vezes, ainda mocinha, ainda do banho, você se olhava demora mente - pensativamente - nua.
Setembro, 1959


posted by MARA CORADELLO 10:39 AM


Segunda-feira, Abril 17, 2006

 
Essa foi a segunda:


Sentimentos de Plástico

Mara Coradello


Voltei a nadar. Para manter a direção nas águas que se movem abaixo de mim, olho para o céu. Nadar de costas me faz imaginar que há uma inversão: o céu azul em cima torna-se a piscina e nele vejo as águas onde as nuvens também parecem nadar, em braçadas lentas.
Então eu penso: é preciso falar dos ônibus incendiados e não adianta sonhar como quem olha as nuvens achando que são o chão. É preciso ter cuidado para não esquecer da dimensão da piscina, se não bateremos na borda. Queria parar de nadar e pedalar. Sonho com uma ciclovia que contorne toda cidade, como quem reza por dias mais inteiros. Sem recortes de medo entre um trajeto e outro.

Não sei por que essa cidade não é uma imensa ciclovia. Essa pequena, ilha, pontilhada de encostas, mas retilínea de fato. E deveria se unir ao continente por pedaladas. Ela é turquesa vista de cima. E também de frente se você ignorar pedaços que insistem em se inscrever na paisagem, como as propagandas das lojas do centro. Oh céus! Aonde andam os protetores da arquitetura do Centro?
Se as cidades têm corações, não moram à esquerda, moram no centro, quanto mais neste Centro no qual "os navios parecem parar no sinal de trânsito ao lado dos automóveis".
É preciso continuar as braçadas. E pensar no menino que abordou a mim e uma amiga no Cochicho da Penha. Era engraxate, mas queria um tênis. Ela o prometeu. Eu falei que lhe daria livros, mas nunca lembro de levá-los. Menti para ele, sou incapaz de abrir mão de alguns livros, pedaços de mim na estante.
E tenho medo de trair o garoto engraxate com essa pequena ilusão de que o mundo pode ser melhor, apenas para que ele descubra na próxima esquina que o mundo é muitas vezes um não.
Porém algo no olhar dele já demonstrava que sabe mais do que.
A esperança é a única honestidade que nos resta.
É preciso falar do tempo, das borboletas, do jazz que o Geraldo escolhe para acompanhar as pessoas do Cochicho, é preciso saber mais das nuvens, penar com o futebol como quem sofre de encomenda, olhar as crianças na praça e pensar em felicidade póstuma.
É importante escolher um novo sofá para a sala, organizar a ordem das roupas pelas cores, tirar sapatos mais delicados de baixo de outros de inverno. É preciso lavar os cabelos, folhear a esmo livros já lidos, apenas para ter alguma sensação de cumplicidade. Tão perdida a cumplicidade nesses tempos de iPod em que até a música não é mais gregária.
É necessário contar como foi a semana sem contar como foram os dias, pernoitar pensando nas tarefas da manhã como num pai nosso. Contornar as praças porque no meio delas há os delitos que cometemos: meninos cheirando cola ao invés de giz de cera.
Tudo isso guardado, arrumado, penteado e devidamente lacrado, porque é preciso mesmo e estamos fazendo uma coisa apenas: escapamos de falar de amor.
Eu mesma nessa crônica consegui meu objetivo não pronunciei seu nome em vão. Porque a palavra amor é barroca. E canções de gosto duvidoso se apropriaram dela. Porém, é como se o amor fosse um luxo caro. Parece que esquecemos que ele é a única coisa do mundo que se alimenta de si mesma.
Sonhar com amor pode parecer imaginar coisas que não deveriam acontecer em primeira pessoa. Mas esquecer o amor é se afastar do afeto. Se afastar do afeto é ter dias com menos pulsação, sem necessidade do preciosismo raro do cuidado com o outro. Por isso falamos de outras coisas e inventamos desculpas e enquanto nos tornamos infláveis paramos de ter combustões. Seria perigoso demais: plástico derrete fácil. Só que o amor é também fôlego. E temos sempre mais braçadas por vir.







posted by MARA CORADELLO 9:20 AM


Quinta-feira, Abril 13, 2006

 
Essa foi a primeira crônica. Como fui pega de surpresa e estava com meu lap top capenga no conserto, tive que reformar uma das antigas, sabe como? Então tá, vamos ao que interessa:

Para um amigo que não escreve mais

por Mara Coradello

Numa dessas noites do verão que acabou de passar, conversávamos eu e um amigo meu que escreve. Falamos de literatura e de como o Bar do Ceará perdeu parte do charme em seu novo endereço. Esse amigo, que vou batizar de Jorge, ainda não lançou um livro sequer e está quase desistindo da escrita. Escritores iniciantes como eu, que capitulam, me enternecem. E reproduzo parte do monólogo que despejei na mesa, em meio aos maravilhosos pastéis:
Sim, há livros demais no mundo, palavras demais e talvez pessoas demais. Mas eles seguem uma Ordem Oculta nas dobras misteriosas do tempo, inserida em algo tão imenso que não se vê. Somos seres que não vislumbram o grande, precisamos voar com asas falsas, usar telescópios e toda uma parafernália para divisarmos o apenas grandinho, imagine o incognoscível?
A Ordem (assim mesmo, com maiúscula) apareceu para mim como uma das verdades imutáveis da vida, descoberta com auxílio da mistura daquele óleo dos pastéis, certa textura exata do gelo da batida de pitanga e uma conjunção numérica da hora. Vou tentar repassá-la:
Para cada leitor há no mundo uma soma de sentenças, partículas de textos, fragmentos de poesias, frases a esmo, que lhes salvarão a vida. Nada que sequer lembre livros de auto-ajuda. Esses estão classificados pela Ordem como derivados de apenas um livro genial, que não foi escrito pelo autor em questão e por isso alastra-se pelo mundo em forma de semi-ordens narcotizantes. E claro, a auto-ajuda existe para que livrarias e editoras lucrem o bastante, para que apreciadores de literatura possam ler o que há de... bem, o que há de literatura na Terra.
Portanto a auto-ajuda muito nos ... ajuda!
Seguindo: caso você não escreva aquelas frases, idéias e descrições da pele de sua musa e volte a dormir, esses fragmentos voarão se abrigando num enorme panteão localizado bem acima dos Açores, na Biblioteca dos Livros que Não Existem. Algumas vezes a visitamos, nós escritores sem inspiração.
Acontece muito que ao voltarmos da Biblioteca, mais uma vez não escrevemos, nem sempre há blocos de papel por perto, ligar o computador acordaria o amado que dorme, então as frases retornam para as estantes que não-são, num eterno ir e vir.
Bem, para cada frase não escrita, mesmo que inspirada em cotidianas idas ao dentista, caminhadas pela margem do Porto de Vitória, uma leitura com esmero no livro do Marcos Siscar, uma fatia de bolo de queijo...para cada frase há um leitor desesperado, uma espécie de órfão desses caracteres. Muitos textos servem a várias pessoas. Alguns têm o propósito de fazer o mal. Não há juízo de valor na literatura, e como você já deve estar com lesão de esforço repetitivo de saber, não me estenderei nesse pormenor.
Algumas frases, ou mesmo livros inteiros servem à apenas um leitor. Não há também ganho de bônus por maior quantidade de leitores atingidos por texto. A Ordem desconhece todos os algarismos, exceto os que numeram páginas ou definem idade de personagem e datas.
Há apenas uma norma: sendo você assomado diversas vezes por dia pela construção interna de frases, sem sequer construir um hai kai, ou seja, se você sucumbir às facilidades de uma vida sem escrever ... Meu amigo, você há de se tornar um ser sem elo com a Biblioteca dos Livros Não Escritos. O que não se sabe se é bom ou ruim, e de fato isso não importa. É bom que escreva apenas porque o leitor órfão de suas frases em primeira instância será você mesmo.

posted by MARA CORADELLO 9:55 AM


Segunda-feira, Abril 10, 2006

 
Bolhas de Sabão

Mara Coradello


Não me falou a palavra saudade, que imagino seja para ele uma palavra estridente, armário rangendo no meio da noite. A palavra saudade quando não dita já tem seu peso contido na ausência. Falou-me que não queria nada sério e eu pensei seriamente que gostaria mesmo de um carrossel, girar de pião dentro da caixa torácica, bolhas de sabão na alma. Não, não quero mesmo nada sério. Quero algo profundamente bem humorado.
Não quero ser sério porque viver uma vida em punhos de camisa, acreditar sempre nas primeiras impressões, jantar no restaurante dos sábados_ somente aos sábados, e assistir apenas aqueles filmes da seção lançamento... Ai, isso tudo não passa de fiapo de vida. Não passa de uma espécie de vida oficial.

Primeiro parágrafo da minha crônica de quarta-feira em A Gazeta, página 6, Caderno Dois.
posted by MARA CORADELLO 5:37 PM


Quinta-feira, Abril 06, 2006

 
As vidas das pessoas entram pelos vãos das nossas?
Abram as portas e elas fatalmente fugirão.
posted by MARA CORADELLO 5:27 PM


Quarta-feira, Abril 05, 2006

 
Irritantes as escritoras que têm sempre esses textos com a lingerie à mostra, parágrafos empoados, palavras cercadas de miudezas e miados, cheias de artíficios vagos de sedução.
Consegue escrever, nem que seja por uma ou duas linhas, sem ser antes de escritora: mulher?
Pára de me mostrar seus peitos como numa rua, Augusta, Lido, por que tenho mais o que fazer do que acreditar na promessa de que seu texto em algum momento vai ser bom e real, ainda é a ilusão de frases edulcoradas com batom vermelho ruim, de um tom demodé.
Querida, tem uma pia de louça para você lavar, que seus leitores vão poder achar muito mais sexy que essa voz roufenha do seu texto falso ingênuo.
Homem não se pega pelas letrinhas jogadas no papel virtual ou não. Use suas mãos para meios mais nobres se esse é o fim.

posted by MARA CORADELLO 5:51 PM


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