Série: músicas que mostram.
Depois que vi isso no blog do amigo, tive de aprender a postar coisas do you tube, simplesmente encaixou.
E achei mais essa:
posted by MARA CORADELLO 10:17 PM
Preciso de um diretor de arte para fazer meu cartão de visitas, sim, tem que ser logo. E para fazer um site simples também, quero um orçamento e a comprovação de que tem um estilo que combine comigo.
Até.
Ah, falem pelo e-mail maracoradello@gmail.com
posted by MARA CORADELLO 10:32 PM
![]()
Olha uma intervenção em Istambul para estimular a leitura...é um banco de praça, onde podem ser lidos trechos de poemas de um escritor turco do século XVIII, infelizmente a matéria de onde tirei isso não trazia os versos dele. O nome parece esse da lombada...
posted by MARA CORADELLO 4:36 PM
Crônica da semana passada:
Breve diário da paixão inexistente
Mara Coradello
Não. E sei dos ricos implícitos em começar uma crônica com um não, mas eu não sou uma apaixonada pelo futebol, nem mesmo o de uma Copa do Mundo. E sei dos riscos de parecer chata ao escrever isso. Acho irracional o futebol, sinto-o tenso e nesta tensão talvez eu entregue que torço um pouco, que me exalto até. Talvez a natação também seja, como todo esporte, puro campo de disputa , mas vejo mais leveza e uma certa sublimação em fincarmos nossa cabeça na água e os nadadores têm aqueles corpos esguios de quem não malha, apenas se exercita. Porque natação parece feita de restrição e fôlego somente, não de força. E claro que me enterneço com homens que sacrificam até seus pêlos por um amor. Ou uma vocação, que ambos tem a mesma matéria-prima: devoção.
E me encanto com as suas horas inteiras na piscina num silêncio, que imagino, eleva o pensamento. E por falar em silêncio, adoro esse artigo de toucador para quem escreve, cada vez mais raro para cada um de nós que vive. Apela-se até para o taoísmo, uma filosofia tão longínqüa, só porque ele fala em "silêncio interior e meditação" grandes prazeres, quase carnais para mim. Os fogos e cornetas me assustavam, principalmente as segundas, que pareciam animais urrando numa praça medieval, onde reinava o puramente gutural.
Sim, fiquei um pouco constrangida com nossa derrota sábado passado, até porque tenho lá certo senso de patriotismo, mas não sei porque ele é mais forte com o Cesar Lattes, com o Fernando Meirelles, com o Machado de Assis e com a nossa música popular brasileira do que com o futebol.
Alheios a tudo isso organizadores de um especial do site do Sesc Mariana me encomendaram um conto, sobre futebol. Desenhei um jogador contrafeito, que esconde os livros porque seus pais não os acham dignos de um macho (sic). O nome do jogador era Frederico e qual não foi minha surpresa ao ver o tal gol do Fred, no jogo contra os australianos, quase me considerei uma bruxa, uma maga menor claro, mas algo assim. Mas preciso de outras evidências para crer nisso.
No conto, o jogador Fred fala que este é um país que vibra da cintura para baixo, se levarmos em conta três dos ícones mais famosos: sexo, samba e futebol.
Mas vou parar de me citar, ato de desdenhosa soberba, e vou lembrar que o futebol é exatamente belo porque não admite racionalidade, deriva de acaso, existem perdas. Vi a segunda metade do segundo tempo do jogo contra a França e levei um susto: que país era aquele no campo? Parecia tão passivo, tão vendido à autocomiseração, que parecia até certo ângulo do Brasil, que insistimos em ignorar, o ângulo do país do bom selvagem, que tem falta de fôlego e de punhos para eleger com mais sabedoria e para cobrar melhor o que lhe é devido, um país onde situa-se esse estado, que está há tempos respirando mal e que apesar dos otorrinolaringologistas pedirem para incluirmos solução fisiológica em nossas narinas toda noite, ainda assim nem uma nota surge sobre estações de tratamento do ar, filtros e outros itens. E quando surge vem como esta: oculta em meio a uma partida de futebol. Mas como a vida tem ângulos diversos, tão somente amo esse estado e essa cidade como a nenhuns outros, e se pareço rabugenta e aturdida, como alguns leitores docemente me notam, é porque brigo pelo que amo. Tenho esse gênio mercurial e mania de ser a carta da Justiça no Tarot. Perdoem-me, prometo a vocês e ao querido amigo Celso, com quem vi a melhor partida da Copa, prometo cultivar doçura. Espero que o ar daqui continue a me inspirar.
maracoradello@gmail.com
posted by MARA CORADELLO 1:15 PM