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Quinta-feira, Agosto 31, 2006

 
saco de confetes engolido como doces,
fragmentos de sorte,
pedante é a tristeza,
incongruente talho
a poesia como uma maneira de não dizer o que se quer
o que ser quer
coalhada de dias
esmo, frio, brincadeira de palavras compradas
fluoxetina para esquecer
hoje em dia se esquece de paixões ao tomar fluoxetina
algumas frases como prozac
nosso deus muda de nome para pfizer


posted by MARA CORADELLO 8:41 AM


Segunda-feira, Agosto 28, 2006

 
antes de ficar vem a imensa vontade de ir embora. Antes de ir embora as coisas todas começam a dar errado, por causa da vontade de ir embora os argumentos para escapar te procuram. Você não apenas não se apaixona por alguém novo, como se reapaixona pelo amor impossível. Que o amor impossível é ainda belo como um deserto, como uma rua cheia de gente bêbada, como um orgasmo imenso e solitário, como uma auto-estrada tão reta que parece prata por causa do sol e do cercado do cerrado naquela viagem para Brasília onde a vegetação parecia te iludir e se movimentar escura ao longo das margens para dar a impressão de que era diversa. Mas eram as mesmas arvorezinhas retorcidas sombrias.

[Pequenas árvores de troncos torcidos e recurvados e de folhas grossas, esparsas em meio a uma vegetação rala e rasteira, misturando-se, às vezes, com campos limpos ou matas de árvores não muito altas, esses são os Cerrados, uma extensa área de cerca de 200 milhões de hectares, equivalente, em tamanho, a toda a Europa Ocidental. A paisagem é agressiva, e por isso, durante muito tempo, foi considerada uma área perdida para a economia do país.]


posted by MARA CORADELLO 5:12 PM

 
para dias em que só a idéia desse rosto e suas músicas me salvam as manhãs.
bom dia.


posted by MARA CORADELLO 11:32 AM


Sexta-feira, Agosto 25, 2006

 
adoro finais triunfais
posted by MARA CORADELLO 6:46 PM


Quarta-feira, Agosto 16, 2006

 
Sinestexto

Anda tristeza! Deita aqui ao lado nessa cama que me abraça, ao menos algo tem que me abraçar.
Chega vento, vem me fazer ficar aerada como o chocolate da infância, que não quero ser leve, quero ser ultra-leve, aerada por dentro.
E eventualmente desconfio que a gente fica leve mesmo quando morre, antes disso somos densos, e de conteúdo biológico misterioso.

Eu que errei leis da física na crônica de hoje, me pego absorta com orações novas:

quero receber logo o que me é de direito.
quero entender porque não me dão, se não me derem.
quero que se fodam, suavemente e intensamente.

Me apego abjeta porque ser humano é ser por vezes: abjeto.

E nada daquela teoria que nós nascemos repletos de amor, que temos de gastar com bichos de pelúcia, quero a penugem da vida inteira em mim, dentro, fora e todos os poros loucos que não comando, não quero o controle, quero o amor porco e cheio de incenso que assemelha-se ao cheiro do que não há.

Quero conhecer o amigo de Nova Iorque, quero visitar a irmã em Portugal, quero passar um final de semana em Campinhos com o meu Wonka particular.

Quero escrever cada vez mais em primeiro pessoa, mesmo quando para terceiros.

Quero ser adolescente que faz do blog agenda, quero pau e quero língua. Quero perder a vergonha que essa é como o ditado "dispensável na mesa e na cama".
E eu complemento: inútil nas letras.

Que eu pareça ser da década de setenta na falta de pudor, oitenta na atitude de destruição plena e noventa na compostura familiar.
Que eu seja arauta mesmo e grite à moda de Oiticica.

Quero cica da vida na minha boca, entalando a garganta. Quero aquele visco do mel a causar tonturas de tão doce e o gelo de doer quando o dia quente. E quero a sensação constante da melhor droga já inventada: cafeína.
E não espalha, senão a proíbem.

Quero nascer de novo mais de mil vezes que nessas horas creio em dogmas espíritas, que nas horas de amor creio nos ideais de Baco, que nas horas da fraternidade sou cristã, que sou pagã quando preciso ser racional e sou cientológica quando vejo.


posted by MARA CORADELLO 7:54 PM


Segunda-feira, Agosto 14, 2006

 
da série "Blogs que parecem blogs" uma música que ouço, ouço e não me convenço que não foi feita para mim:

L´excessive

Carla Bruni

Je n'ai pas d'excuse,
Eu não tenho desculpas
C'est inexplicable,
é inexplicavel
Même inexorable,
mesmo inexoravel
C'est pas pour l'extase, c'est que l'existence,
Não é pelo extase, é que a existência
Sans un peu d'extrême, est inacceptable,
Sem ser extremista, é inaceitavel
Je suis excessive,
Eu sou excessiva
J'aime quand ça désaxe,
Amo quando tudo se desorienta,
Quand tout accélère,
Quando tudo acelera
Moi je reste relaxe
Eu fico relaxada
Je suis excessive,
Eu sou excessiva
Quand tout explose,
Quando tudo explode,
Quand la vie s'exhibe,
Quando a vida se exibe,
C'est une transe exquise
é um transe excelente
Y'en a que ça excède, d'autres que ça vexe,
Para alguns, isso excede, magoa
Y'en a qui exigent que je revienne dans l'axe,
Alguns exigem que eu volte à realidade
Y'en a qui s'exclament que c'est un complexe,
Alguns exclamam que é um complexo,
Y'en a qui s'excitent avec tous ces "X" dans le texte
E alguns se excitam com todos esses X no
texto,

Je suis excessive,
Eu sou excessiva,
J'aime quand ça désaxe,
Eu adoro quando isso se desorienta,
Quand tout accélère,
Quando tudo acelera,
Moi je reste relaxe
Eu fico relaxada
Je suis excessive,
Eu sou excessiva,
Quand tout explose,
Quando tudo explode,
Quand la vie s'exhibe,
Quando a vida se exibe,
C'est une transe exquise, (ouais).
é um transe excelente, (é).
Je suis excessive,
Eu sou excessiva,
J'aime quand ça désaxe,
Eu amo quando tudo se desorienta,
Quand tout exagère,
Quando tudo exagera,
Moi je reste relaxe
Eu fico relaxada,
Je suis excessive,
Eu sou excessiva,
Excessivement gaie, excessivement triste,
excessivamente alegre, excessivamente triste,
C'est là que j'existe.
é ai que eu existo.
Mmmm, pas d'excuse ! Pas d'excuse !
mmmnn, não tem desculpas! Não tem desculpa!
posted by MARA CORADELLO 5:31 PM


Sexta-feira, Agosto 11, 2006

 
Carta ao Tom

(acho que é somente do Vinicius, apesar de encontrar outras versões que incluem Toquinho, Chico e até o Tom,
mas como Tom pôde escrever uma Carta ao Tom? Estranho...)

Rua Nascimento Silva, 107
Você ensinando pra Elizete
As cancões de canção do amor de mais
Lembra que tempo feliz
Ai, que saudade...
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E, além disso, se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor

(acho que esta veio depois):

Rua Nascimento Silva, 107
Eu saio correndo do pivete
Tentando alcançar o elevador

Minha janela não passa de um quadrado
A gente só vê concreto armado
Onde antes se via o Redentor

É, meu amigo
Só resta uma certeza
É preciso acabar com a natureza
É melhor lotear o nosso amor


posted by MARA CORADELLO 7:08 PM


Domingo, Agosto 06, 2006

 
Escrever uma canção...com reticências

Amor de devolução

Mara Coradello (essa mesma)

Você mora num lado da cidade e eu vou para o outro
O outro lado da cidade do outro cara do outro quarto do outro
Ninguém é dono de ninguém mas eu me emprestei para você
que já não quer e não consegue me devolver

Não sei o que deu em mim para não conseguir falar
o que eu faço de melhor é ser eu mesma
Acho que todo mundo é diferente quando ama
as coisas todas com mais cores e as estrelas descem do céu
e caem na pista
e colorem sorrisos


Quando você pede um tempo é porque eu não tenho mais seus tempos
Só que deslizo e escorrego nos seus pensamentos
E penso no outro lado da cidade
É noite, e uma ilha combina com o que eu sinto
Sigo rindo, desvendando o que há dentro dos copos
Outros corpos me ensinam apenas que não são o seu
Outras noites me fazem lembrar do conforto ao seu lado
Mesmo num outro quarto, no outro quarto tudo parece um quadro de você.




posted by MARA CORADELLO 3:28 PM


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