'Numa confusão de emaranhamentos, o verdor das árvores é parte do meu sangue. Bate-me a vida no coração distante... Eu não fui destinado à realidade, e a vida quis vir ter comigo.'
Fernando Pessoa
Livro do Desassossego
posted by MARA CORADELLO 3:56 PM
posted by MARA CORADELLO 7:39 PM
A crônica de hoje, com agradecimentos a Ana Kate Gama: obrigada linda.
Armazém de afetos
Mara Coradello
As semanas que começam como esta, com chuva miúda a derramar palavras dos dedos nas vidraças.
O amigo Fernando que se senta em minha frente no restaurante, e que abre seu guardanapo de pano na hora errada, antes da entrada, só porque eu o fiz, apenas para me deixar à vontade.
A família Klein de Domingos Martins, que se solidarizou com minha necessidade urgente de usar internet, e tentou o quanto pode conexões diversas, e nesse intento ainda me serviu doces e exemplos.
Os dias pequenos nas coisas minúcias.
Edredons e baunilhas, como diz Juliana.
O antigo cheiro de amaciante do meu último amor e a percepção de que sequer raiva por ele eu contenho.
As roupas todas iguais das mulheres, que parecem tentar ser assim, confortavelmente irmãs, acompanhadas em seu uníssono visual.
A lembrança da amiga que nunca mais verei, porque nos perdermos de modo inexorável, e meus dedos hesitam ante o e-mail que não escrevo, porque me deu vontade de enviar sentimentos em cartas.
As palavras vintage que não pretendo usar, mas que se intrometem em minha fala, e me transtorno a ponto de colocar ante elas a cerca de dentes:
_caramanchão, júbilo, noviciado, porventura, data venia, esdrúxula, principado, papos de anjo, manjar, naftalinas.
A passagem das horas em volta dos dias em que sei que mais uma vez o amor se esqueceu de ser. E foi mais uma vez apenas essa coisinha irritante que não viaja, nem escala montanhas, quase como uma picada de um inseto sem veneno, um inchaço que passa com álcool.
O trabalho e sua fábrica, o significado de aceitar dele compensação, ou como diria Alice: o significante.
A noblesse oblige de viver com a altivez de uma dama, olhar para situações com humor, com pedantismo que seja, mas com elegância sincera, só existente em nossos corações destemidos.
O trecho de Truman Capote que mais gosto, os grifos são do autor:
"...É maçante, mas é verdade que coisas boas só acontecem se a gente for uma boa pessoa. Boa, não, honesta é melhor. Não honesta no que diz respeito à lei_ eu violaria um túmulo e roubaria os olhos do morto se isso servisse para melhorar o dia_, mas honesta consigo mesma. Tudo, menos ser covarde, embusteiro, destruidor de corações ou prostituta: prefiro ter câncer a ter um coração desonesto. Não é questão de ser carola, é questão de ser prática. O câncer pode acabar com você, mas a outra coisa vai acabar com você. "[1]
A vontade de que o sonho de Fernando seja realidade: amor vendido desidratado em saquinhos, em supermercados. Como manjericão.
A vontade imensa que esse texto te sirva como enfermaria de afetos, mas que ainda assim você precise telefonar depois de lê-lo.
[1] Fala de Holly Golightly em Breakfast at Tiffany´s, de Truman Capote.
Editora Companhia das Letras.
posted by MARA CORADELLO 6:27 PM
Crônica de anteontem:
Química
Mara Coradello
No começo aquele trabalho como diagramadora de embalagens de remédios a inspirou.
Perdia horas escolhendo se Lexxotan Matrix deveria vir com uma ou duas linhas azuis embaixo do nome.
Alterava-se ao escolher arials.
Fontes que oscilavam entre 1,2 até a 16. Nunca mais. Delicadezas farmacológicas.
Eliza.
Sempre amou sua própria não-necessidade de cópula,
poucos homens a tinham feito sair das trincheiras confortáveis de seu pouco apego ao sexo.
Um mero bocejar químico para doses de endorfina que poderia praticar na ergométrica.
Mas vamos aos fatos, ela era quarentona, ele também.
Ele tinha certa relutância em ser canalha, o que ela gostou.
Alberto.
Eles praticavam o gosto pela pouca sensualidade. E tinham delícia pela modorra dos pés no chão.
Ele era um dos chefes do laboratório, no setor de vendas. Era casado.
No parco currículo dela, nunca houve um casado. Eles a enojavam.
Talvez porque soubesse que seria incapaz de amar um homem a ponto de dividi-lo de antemão.
Que as mulheres dividem homens entre si, isso é fato, corriqueiro como uma aspirina numa caixinha de primeiros socorros.
Mil desculpas ao revisar compostos sem atentar para erros do bioquímico.
Mil cuidados em ser sensata.
Hipersensibilidade à presença dele, principalmente agora,
que descobriram morar em bairros vizinhos. Noturnamente passavam nos caminhos dos motéis, aquelas luzes todas, Sweet Love, mais néons rosa? Hora Marcada.
Certo dia, na altura do Sin Less, ele roçou na perna dela,
de vestido de liganette, fluida e severa ao mesmo tempo, riscas de giz.
Ela o olhou abrupta nos olhos e logo estavam dentro de uma suíte,
trepando como cachorros, cavalos, e outros bichos que urram.
Ele tinha uma forma toda especial de fazê-la gozar:
Onde está minha serotonina, ou: A 5-hidroxitriptamina ou serotonina
(5-HT) é uma indolamina produto da hidroxilação e carboxilação do aminoácido L-Triptofano na seguinte seqüência bioquímica: L-Triptofano- L-50H Triptofano - 5-OHTriptamina ou Serotonina.
A serotonina tem um efeito inibidor da conduta juntamente
com um efeito modulador geral da atividade psíquica.
Assim sendo, a 5-HT influi sobre quase todas as funções cerebrais,
inibindo-a de forma direta ou estimulando o sistema GABA.
Na verdade eles se entusiasmaram tanto com a paixão entre flâmulas que decidiram mudar o mundo. Num certo dia uma quantidade de 120 mil caixas de um famoso antidepressivo saiu com a seguinte bula:
Trepai.
posted by MARA CORADELLO 2:52 PM
É isso mesmo. A revolução não é um jantar de gala. Também não é um concurso de miss, não é um chat pornográfico na internet, não é uma convenção de especialistas arquivistas, nem um desfile de moda ecológica numa organização não governamental. A revolução se alimenta mal porque só se alimenta de renovação, por menores que sejam as novidades. A revolução é uma habilidade tão grande de doar tanto de si que chega a doer! A revolução não é uma experiência civilizada. Pode mesmo ser avacalhada.
(...)
A revolução é uma porrada na cara da noção de que nada muda de mão. Muda... de mão para contramão, causando inúmeros incidentes aos desorientados e descontentes. É uma missão, um desafio, uma confusão...
(...) Como dar conta da vazão dessa pressão sanguinea do tesão que desperta a revolução, querendo fertilizar e infernizar a serenidade dos aflitos?
A revolução é de todos! Ainda que uns e outros, como se diz...
Não convém especular em meio a tanto obscurantismo.
É, sim, preciso ter clareza, mas não demais... Porque é sempre bom lembrar que a revolução não é um jantar de gala, não é uma marca de refrigerante e nem um livro gigante, que se bota na estante para ensinar o que todos deviam saber por si próprios.
A revolução nem é um texto decorado como este.
(...) revolução é foda meu, meu!
Poe na roda o que é teu para vermos o que seriamos dos outros se fossemos todos os mesmos...
(...) a natureza contém a semente indiferente da liberdade, da confusão, da morte, do renascimento e da destruição... de maneira que revolução não combina com moderação, compreensão ou generosidade de alma.
(...) a revolução é um levante, meu caro. É um puta de um ato de violência, companheiro! É uma guerra nuclear de arrombar, pela qual uma classe derruba a outra... vai encarar?
** Fernando Bonassi
Centro Nervoso
(Tirei do fotolog de Lucélia, para quem dou os parabéns atrasados: felicidades e obrigada por colher esse texto).
posted by MARA CORADELLO 10:47 PM
Bu!
posted by MARA CORADELLO 12:55 AM
Supresas do auto-search (com hífen, mesmo que não tenha, para ficar ainda mais real).
Achei uma crônica minha dentro da Intranet do Ministério da Cultura.
Só entendi lendo o texto todo. Mesmo assim, quando pousei os olhos no link tomei um susto.E eu que nem sou o Cirque de Soleil...
Detalhe, esse me parece clipping deles, on-line e bonitinho. Uma versão contemporânea do clipping de papel. E uma espécie de auto-search deles.
Vivemos nas intersecções. Por falar nisso, preciso de uma: seria o encontro amoroso uma intersecção de químicas e desejos e anseio? Oh, de novo este assunto.
Mudemos:
Hoje tem vernissage de abertura da Claudia Dodd no Escritório de Arte Contemporânea do Fernando Neyder.
Leia texto abaixo sobre trabalho da artista, que é uma lady divagante, uma afronta real ao estereótipo do artista moderno, descolado e extra-agressivo e perturbado.
Fiquei pensando em minhas posturas extravagantes por vezes...E lembrei de uma frase:
Por favor, menos Greta Garbo e mais Audrey Hepburn.
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Claudia Dodd
Espelhos às cegas
É mais do que biológica a questão do ver, há muito que se olhar entre o visto e o não-visto. E ainda bem que poderemos olhar e ver as fotografias e os desenhos de Claudia Dodd, a primeira exposição da artista mineira, abre nesta sexta em Vitória, na Neyder Galeria de Arte Contemporânea.
Segundo a artista, as imagens espelhadas sempre estiveram presentes em sua obra. Nesta exposição, dividida em fotografias e desenhos, até mesmo nestes está presente a questão dos reflexos:
"Estes desenhos são executados quase que às cegas, uma vez que se trata de guache branco sobre papel branco; em seguida são enlutados pelo negro do nanquim. Ao secar, recebem um banho de águas, que lavam toda a superfície, deixando relevar apenas as primeiras linhas brancas", pontua Claudia, que nomeia a obra Instável Geometria.
Trânsitos
Nos ensaios fotográficos um cubo espelhado surge em lugares inusitados, essa obra encontra-se em processo de produção, e como diz a artista faz "pensar a fotografia como uma espécie de espelho congelante".
Os reflexos sempre estiveram presentes na construção do "humano, demasiado humano", e como não poderia deixar de ser na arte, literatura, psicanálise e mitologia, desde o quadro As Meninas de Velásquez em que provavelmente o pintor se retrata através de seu reflexo, ou mais remotamente ainda, no mito de Narciso que mergulha nas águas, apaixonado por sua própria beleza.
O que podemos esperar da obra de Claudia Dodd é a singularidade de espelhos que refletem o aparente esmo de não-lugares, que revelam e desvelam beleza e plasticidade inequívocas.
Serviço:
Exposição Trânsito
De 15 de setembro a 05 de outubro de 2006.
Horário de Visitação: 10:00 às 19:00 hs.
Rua Aleixo Neto, 1226/Lj. 04 - Praia do Canto, Vitória.
Abertura: sexta-feira dia 16, 20 horas.
A artista chega à cidade, dia 13, e permanece até sábado dia 16.
Maiores informações com Fernando Neyder pelos telefones:
27 3225 5471/ 27 9972 2144
posted by MARA CORADELLO 12:34 PM
Crônica de ontem:
Amor entre aspas
"O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos." [1]
Quando ele entrou em casa estava tudo na mais perfeita desordem, roupas na pia da cozinha, os frascos de perfume na sapateira, almofadas na varanda, e as janelas todas abertas, com um sol entrando em estilhaços de ironia, cerejas maduras nos sofás.
Logo ele, que deixava tudo fechado, em nome de possíveis tempestades que deram para cair sem avisar, nem aos metereologistas. Mas o que ele achou mais tocante foram as milhares de folhas brancas pregadas nas paredes da casa, papéis portando frases escritas na velha Remington:
"Parabéns a você com sua vida dividida em cores. Roupas no armário dos significados."
"Parabéns a você que acha ser tão cálido assumir que precisa de um amor, eu que sempre soube que o amor romântico era algo à margem das ordens, não pode ser útil, utensílio ou ferramenta. Companhia nas tardes de domingo?"
"Um viva àquelas pessoas que entram em nossas vidas para organizar nada."
"Um amor de assepsia é o que você quer?"
"Não sei se o amor preenche, mas sempre o comparo com o vento."
"E ainda misturo as químicas, enxergo no amor as características da paixão, que pode ser curada com fluoxetina de acordo com sensato parecer médico."
"O amor contemporâneo pode ser interrompido na farmácia de manipulação? Pena que ainda não sabemos precipitar paixões."
A maioria das outras folhas eram citações sobre estudos que explicavam a chamada química do amor, que como quase tudo era passível de dúvidas, críticas e novos fatos, afinal nem o orbitar dos planetas está seguro, porque o amor estaria?
"A ciência moderna conseguiu provar que o amor romântico causa reações químicas. Quando a pessoa fica apaixonada, seu organismo produz grandes doses de três substâncias: dopamina, norepinefrina e feniletilamina. São anfetaminas naturais que provocam euforia e podem causar dependência. Isso explicaria o comportamento das pessoas incapazes de relacionamentos duradouros. Elas seriam viciadas em paixão. Se o relacionamento permanece, passados dois ou três anos os amantes começam a produzir endorfina, substância que dá a sensação de calma e tranqüilidade. Uma das últimas descobertas na química do amor é a oxitocina. Chamado o hormônio da confiança. Que também, estimula e inicia a produção de leite nas mulheres."
Logo ele que tinha pareceres tão lacrados a respeito de não se apaixonar, até virginiano era.
Olhou todas as folhas e as leu uma por uma, numa ordem que ele encadeou devagar na mesa de carvalho. E logo depois se descobriu talvez apaixonado. E nesse momento a tempestade não começou.
[1] Fragmentos de "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.
posted by MARA CORADELLO 12:32 PM
Tudo só é se for vice-versa.
versa se for o bastante para não ser vice.
posted by MARA CORADELLO 12:22 AM
Pedido de Desculpas
Eu acho que ninguém lê isso aqui, em dias como hoje, em que pareço descolada da literatura e cansada.
Mas voltarei a postar as crônicas que publico toda quarta no jornal A Gazeta.
Tenham paciência. Para compensar meu descaso com este blog, uma crônica de cerca de dois meses atrás:
As brumas de Itaúnas
Mara Coradello
Viajar perverte o tempo, e inventamos outras formas de medi-lo. Os compromissos diários contam nossas horas muito mais do que o relógio, mas há algo além de contar ou não minutos numa cidade que é o espelho de uma outra que se escondeu sob areias. Houve na semana passada, a oportunidade de mais uma vez me inserir na doçura desta estampa suave no mapa norte do Espírito Santo. Um lugar adorado por Elisa Lucinda, perto do berço de Bernadette Lyra, escritoras de verdade, mas agora eu também declaro Itaúnas meu refúgio eventual, ao menos nesta crônica. Ao pisar nas areias, pela manhã, parecia-me que todas as minhas preocupações pouco a pouco estavam sendo soterradas. Como a areia sob meus pés havia feito com a cidade anterior.
Duvido que alguém não conheça a história, mas como sempre me chamam de hermética, de escrever o que ninguém entende, explico com eventual tom de historiadora:
Itáunas: tombado pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade, esse parque tem 3500 hectares e 25 quilômetros de praia, além de diversos ecossistemas, como manguezal, restinga e alagados, e espécies ameaçadas de extinção como preguiças, capivaras e lontras. É famoso por suas dunas que, com o desmatamento e a força dos ventos, se moveram e cobriram a antiga vila.
E essa fina nuvem de areia ainda circula por Itaúnas, principalmente em minhas idéias, areia que aturdia minhas certezas que nada pareciam significar. Pela minha mala podem julgar o que eu houve: levei um par de sandálias, um de havaianas, dois pares de biquínis, e algo que há muito eu não usava: shorts. Dois livros quase não lidos e pouquíssimo tempo, que escorregou nas dunas e se perdeu para sempre. Como é de costume do tempo. Levei demasiadas roupas de frio porque meu amigo anestesista, cuidadoso como devem ser os médicos, me convenceu, e o melhor, era verdade: Itaúnas é fria à noite nessa época do ano, e durante o dia o sol quente derrete o resto da friagem que ainda está escondida em nossos ossos. Não há muito com o que gastar, bem que merecia que o Franco reabrisse o restaurante. E existem cybers cafés por lá. Eu chequei meus e-mails em um deles. Mas é a água do mar que envia notícias e te sacode intensamente quente, para que você acorde para seus refúgios. Aprendi nas aulas de arte que refúgios podem existir dentro de nós e se assemelham ao que os orientais chamam de ponto de fuga: um espaço mais suave no quadro, onde há nenhum desenho, como as areias que têm em seu conjunto o minimalismo, o puro debruçar do sol.
E na volta, ao lado de quem consigo dormir mesmo num banco de carona, pude ver algo que nunca suspeitei encontrar: no meio de alagados e manguezais fortes e recortados de plantas, cujos nomes admito que desconheço, vi a suavidade de brumas. Uma verdade plena que a cada dia tenho mais certeza, as coisas estão sempre onde menos procuramos. Eu que acreditava que ao ir embora, para uma grande metrópole, onde cafés ficariam abertos por toda a noite, seria feliz em meio a dezenas de livrarias, sou feliz na livraria da praça próxima a minha casa. Acho que Deus, como dizem, pode até ser carioca, mas ele deve ter se mudado para uma cidade pequena. Para um lugar que ainda não é emancipado. Certamente a felicidade é um estado como se tivéssemos uma cidade pequena em nossa alma, proximidade, pés no chão, céu azul, crianças correndo sem medos, cachorros se abanando lentos. E Itaúnas ficaria ainda mais bela e sua catuaba mais exótica e suas noites imensas mais longas se eu estivesse em estado de graça de amor, mas isso eu deixo para outra crônica.
posted by MARA CORADELLO 11:53 AM
Calling you
Bob Telson
A desert road from Vegas to nowhere
Some place better than where you´ve been
A coffee machine that needs some fixing
In a little café just around the bend.
I am calling you.
Can't you hear me?
I am calling you.
A hot, dry wind blows right through me
The baby's crying, and I can't sleep
But we both know a change is coming.
Coming closer, sweet release.
I am calling you.
Can't you hear me?
I am calling you.
A desert road from Vegas to nowhere
(como disponibilizarei musiquinhas aqui?)
posted by MARA CORADELLO 1:32 PM